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Até que ponto a tecnologia ameaça o mercado de brinquedos?

Há algumas semanas, a rede americana de lojas de brinquedos ToysRUs anunciou o fechamento de 735 lojas nos Estados Unidos. Algo semelhante ocorreu no Brasil, em 1997, quando a varejista D.B. Brinquedos encerrou suas atividades. Uma dívida de R$ 36 milhões levou a companhia a fechar 35 lojas.

Mais de 20 anos se passaram entre os dois eventos, mas ambos têm algo em comum: a falta de adaptação às mudanças do mercado –e isso inclui erros de gestão somados ao avanço inevitável da tecnologia.

No caso da empresa brasileira, o motivo da falência, na época, foi uma dívida com fornecedores, além da presença de brinquedos importados vendidos por camelôs, que começaram a competir fortemente com a indústria varejista de brinquedo.

Já na ToysRUs, a revolução tecnológica ocorrida na última década fez com que as vendas online passassem a ocupar um espaço cada vez maior nos gastos das famílias, enquanto as visitas às lojas físicas foram cada vez menos frequentes.

O resultado deste comportamento é que lojas virtuais, como a gigante Amazon, abocanharam uma enorme fatia do mercado da ToysRUs. Um movimento preocupante para todo o mercado, na visão de Luís Alberto Paiva, sócio-diretor da Corporate Consulting, responsável pela reestruturação de mais de 200 empresas de diferentes setores.

Para o especialista, além das questões financeiras que regem uma empresa nestes tempos, é preciso estar atento à dinâmica que a tecnologia impõe ao varejo físico. Em decorrência da forma como as crianças passaram a se relacionar com seus brinquedos, nos últimos anos, afirma ele, os pais também modificaram seus hábitos de consumo de uma maneira global.

“Se uma criança de dez anos prefere ganhar um tablet a uma coleção de carrinhos, as lojas precisam reinventar seus espaços e suas propostas. E no Brasil, ninguém faz isso bem ainda”, diz.

A mesma opinião é compartilhada por Alexandre Van Beeck, sócio-diretor da GS&Consult. Assim como a grande maioria dos consumidores de hoje, tanto o jovem público-alvo desses produtos como seus pais também querem ter experiências de compra, segundo o consultor.

Van Beeck diz que se a loja tem uma forma de apresentar o produto de maneira diferenciada, interativa, contando uma história e atender de maneira muito próxima envolvendo a criança a ponto de despertar o desejo pelo produto, há razão para que a compra seja efetivada.

Porém, se a varejista se preocupar apenas com preço e oferta, esses pais irão para a internet. “É necessário oferecer algo mais para ser competitivo: se ficar só em cima da sua história, a empresa será atropelada”.

Leia matéria na íntegra em: Diário do Comércio