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Diante de crise e tecnologia, marcas apostam em diminuir para expandir

Há anos as marcas adaptam seus investimentos e metragem a um cenário de recessão econômica. Tal situação ainda não mudou, mas hoje está menos ligada ao preço e mais à ser eficiente usando novas tecnologias. Negócios tradicionais em expansão — como a rede de franquias de calçados femininos Arezzo e a marca Turma da Mônica — apostaram em formatos mais enxutos para continuar abrindo unidades, respectivamente, em cidades menores e shopping centers.

A Arezzo passou um ano planejando um formato enxuto para atender cidades menores, onde a varejista de calçados não tinha presença física, de acordo com a responsável pela área comercial Danielly Bilieiro.

A arquitetura foi transformada para um espaço de rua e menor, com foco em cidades com menos movimento dos que os já trabalhados pela Arezzo. As prateleiras dão maior destaque para produtos atemporais e os mais vendidos.

Outro ponto é a experiência multicanal. O consumidor pode pedir pelo e-commerce um produto que não esteja disponível na loja física, como um sapato em outra cor e outro tamanho. A integração de canais reduz a necessidade de um grande espaço e fluxo de caixa para estoque nas lojas.

A Arezzo tem 400 unidades em seu modelo tradicional e outras 30 na versão mais enxuta, chamada de Light.

Um raciocínio similar moveu Mauro de Sousa, filho de Mauricio de Sousa e responsável pela experiência ao vivo com as personagens dos quadrinhos Turma da Mônica. Sua última criação é a Estação Turma da Mônica, modelo mais enxuto para os 12 mil metros quadrados originais do Parque da Mônica, ainda existente na cidade de São Paulo. Ao todo, foram três anos de projeto.

O foco da Estação Turma da Mônica, de 1,5 mil metros quadrados, está em shopping centers. “São locais com grande fluxo de famílias. Elas estão cada vez mais atrás de entretenimento e os centros de compra precisam atender a demanda”, afirma Mauro de Sousa. O investimento inicial acompanha a redução de metragem, indo de 30 a 40 milhões de reais no Parque Turma da Mônica para 5 milhões de reais na Estação Turma da Mônica.

A primeira unidade licenciada foi aberta no ano passado, em Goiânia (Goiás). Há outra unidade em Olinda (São Paulo) e no segundo semestre será inaugurada mais uma Estação no Rio de Janeiro. O plano é ter de 20 a 30 unidades em quatro anos, com três modelos de metragem (P, M e G).

Depois da consolidação pelo licenciamento, o próximo passo é criar um projeto de franquias da Estação Turma da Mônica.

Metodologia enxuta

Por trás dos dois projetos está a consultoria de franqueamento Grupo Bittencourt. A empresa criou uma metodologia chamada Lean Concept, ou “conceito enxuto”, vendo a recessão econômica principalmente nos anos de 2016 e 2017.

“As empresas se viam com oportunidade de crescimento antes e se descuidaram da eficiência operacional. A força de consumo não acompanhou e as companhias tiveram de olhar para dentro de casa e se adequar a um novo pensar de expansão”, analisa a sócia-diretora Lyana Bittencourt.

Para aplicar uma metodologia enxuta, é preciso olhar para a estrutura organizacional das empresas (como otimizar as equipes, enxugando custos?); para a arquitetura das lojas (um projeto mais flexível, que permite montar e desmontar metragens mais facilmente, como na Estação Turma da Mônica); e para a tecnologia empregada (como a criação de uma “prateleira infinita” de estoque, vista na Arezzo).

É um foco não apenas no mais barato, mais no resultado operacional e na volta do consumidor. Além da crise econômica, outro motivador para a adoção de uma metodologia enxuta é o próprio comportamento dos compradores, que não precisam mais ir à loja para adquirir produtos.

“As empresas precisam repensar em como fornecer bons motivos para os clientes irem às suas unidades”, diz Bittencourt.

A aplicação do Lean Concept vai dos processos à disposição das lojas e levam no mínimo quatro meses, por envolver visitas ao ponto de venda e pesquisas com consumidores. Os formatos das unidades são enxugados e o investimento tende a se reduzir, assim como seu prazo de retorno. Os custos com tecnologias associadas se compensam ao longo dos meses de operação. “É uma das premissas ao se adotar um formato lean”.

Para marcas como Arezzo e Estação Turma da Mônica, a inovação precisa chegar até aos negócios mais tradicionais para o crescimento continuar.

Leia a matéria original em: Exame