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Mercado de luxo vive momento de venda fraca e saída de grifes

Desde o início de 2016 até agora ao menos dez marcas deixaram o Brasil, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Luxo, e o movimento pode continuar daqui para frente

 

Com um resultado fraco no ano passado e perspectivas ainda tímidas para este ano, o mercado de luxo brasileiro não passa pelo seu melhor momento. Maior prova disso é a saída expressiva de marcas do Brasil. Desde o início de 2016 até agora, ao menos dez grifes deixaram o País e especialistas acreditam que outras possam seguir o mesmo caminho.

A estimativa é da Associação Brasileira de Empresas de Luxo (Abrael), entidade que reune 60 companhias do segmento. Presidente da associação, Freddy Rabbat cita como exemplo a francesa Longchamp, que fechou suas lojas em abril, a marca de relógios suíços Piaget, e a doceria Ladurée, que encerrou sua operação brasileira há pouco mais de um mês. Além das três, marcas como a Vilebrequin, Lanvin, Kate Spade e Vacheron Constantin também bateram em retirada com a crise.

“Para atuar no Brasil, o custo operacional e o preço dos produtos precisam ser muito baixos – para compensar os impostos altíssimos -, o que faz com as margens do fabricante, distribuidor e lojista sejam extremamente apertadas. Qualquer erro no meio do caminho faz com a empresa opere no prejuízo”, explica. Pela dificuldade específica de atuar no Brasil, completa o empresário, muitas marcas internacionais começaram a entender [com o cenário de recessão] que é melhor realizar o prejuízo e realocar o investimento para outros mercados, pelo menos de forma temporária.

O movimento, segundo o coordenador do programa de gestão do luxo da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), Silvio Passarelli, pode continuar daqui para frente, com outras marcas do segmento deixando o País. Uma das grandes que pode seguir o mesmo caminho, aponta, é a grife de carros Rolls Royce. “O que acontece é que a marca começa a patinar, os custos fixos são elevados, e a sede passa a entender que é melhor recolher temporariamente, para não desgastar a imagem, e esperar um momento melhor para voltar.”

A frente da distribuição dos uísques single malt The Macallan no Brasil (que chegam a custar quase R$ 2 mil), o empresário Mauricio Leme também sinaliza para a possibilidade de que outras marcas encerrem a operação localmente. “Em alguns segmentos as que tinham que sair já saíram, mas no de automóveis talvez tenham operações para sair e no de acessórios femininos também.”

Ao contrário do cenário visto no segmento, a marca de bebida escocesa tem crescido no Brasil em faturamento. Sem abrir números, Leme afirma que houve um avanço no ano passado, frente a 2015, e que a perspectiva para este ano é de que as vendas registrem uma alta de dois dígitos. O impacto da recessão foi sentido pela marca em 2015, de acordo com ele, quando o faturamento retraiu, em comparação a 2014.

Vendas fracas

No mercado como um todo o cenário é um pouco mais complicado. De acordo com dados da Euromonitor, as vendas do segmento retraíram 3% no ano passado, em termos reais, e a perspectiva para este ano é de um crescimento, em valor de venda, de 1% acima da inflação. O levantamento considera apenas os segmentos de vestuário e calçados, jóias, relógios, bebidas, artigos de couro, instrumentos de escrita, óculos e produtos de beleza (excluindo, por exemplo, carros e imóveis).

A expectativa da consultoria GS&BGH, especializada em varejo e parte do grupo Gouvêa de Souza, é ainda mais conservadora. O sócio diretor da empresa, Marcos Hirai, afirma que a tendência é que o mercado de luxo ande de lado este ano, principalmente após a piora da crise política, com a delação dos executivos da JBS em maio. “No começo do ano tivemos uma centelha de que as coisas estavam melhorando, mas novamente a confiança voltou a cair. Mesmo o consumidor da classe A fica sem ânimo para comprar”, diz.

Leia a reportagem na íntegra: Jornal DCI