Facebook Twitter Youtube Linkedin |

Microfranquia que pode ser operada de casa é alternativa para iniciantes

Com cerca de 135 marcas em operação no país e investimento inicial relativamente baixo, as microfranquias baseadas em casa costumam ser a porta de entrada de quem deseja empreender, mas possui pouco capital para arriscar no negócio.

No início do ano passado, segundo levantamento da ABF (Associação Brasileira de Franchising), existiam cerca de 445 marcas operando no segmento de microfranquias no país, das quais aproximadamente 34% (145 marcas) operavam no sistema “home based”, geridos a partir da casa do microfranqueado.

Humberto Damas, consultor do Grupo Bittencourt, diz que o nicho viveu um crescimento acelerado, a partir de 2012, concentrado em serviços de reparação doméstica. Em seguida, veio o refluxo, com várias marcas abandonando o mercado, em geral por falta de planejamento.

Sobraram, então, apenas aquelas que conseguiram estruturar as operações e oferecer suporte adequado aos franqueados, afirma Damas.

Algumas características desse tipo de franquia devem ser levadas em conta pelos interessados. Em primeiro lugar, o caráter multidisciplinar do negócio, ou seja, o fato de que o microfranqueado, dada a escala do negócio e a impossibilidade de contratar funcionários, terá de assumir várias tarefas no dia a dia da empresa.

“Esse modelo costuma ser o passo seguinte de quem perdeu o emprego e busca ser empreendedor. Em geral, ele consegue tirar um rendimento mensal de cerca de R$ 3.500.”

Segundo a ABF, o investimento médio dos microfranqueados é de cerca de R$ 44 mil, ainda que existam opções a partir de R$ 1.500. No caso das “home based”, além de tocar o negócio sozinho, o capital inicial também tende a ser menor por não ser necessário investir no ponto comercial ou em identidade visual.
O investimento inicial se concentra na taxa cobrada pelo franqueador, que costuma ser responsável pelo treinamento inicial e por manuais de administração.

“O mais relevante nesse caso é o candidato a empreendedor colocar na balança se a franqueadora terá condições de entregar a rentabilidade anunciada a partir de um investimento tão baixo”, diz Damas, que chama atenção para a necessidade de a franqueadora entregar um modelo de negócio de sucesso comprovado, não apenas uma marca.

O caminho indicado foi seguido à risca pelo jornalista Jean Minganti, quando decidiu, em 2012, adquirir uma microfranquia da Guia-se Negócios pela Internet, especializada em marketing digital.

Sua reserva para o negócio valia por uma semana, tempo que teve para se aprofundar nos números que lhe foram apresentados pelo franqueador e nas informações de franqueados em operação.

Hoje, oferece soluções de marketing digital principalmente para micro e pequenas empresas interessadas em ampliar sua visibilidade na internet. Com um faturamento bruto mensal de cerca de R$ 18 mil, Minganti diz que sua margem de retorno líquido oscila entre 40% e 50% desse montante, levando em conta o royalty mensal pago à franqueadora e outros custos.

O investimento inicial é de cerca R$ 40 mil e outros R$ 10 mil de capital de giro. Segundo José Rubens Rodrigues, presidente da Guia-se, leva cerca de 45 dias para uma franquia entrar em operação, e o retorno do capital acontece entre 6 e 24 meses após a abertura.

Grandes marcas também abriram um braço de microfranquias “home based”. Lançado em fevereiro de 2017, o modelo de negócio oferecido pela indústria de cafés Pilão tem mais de 70 franqueados.

Com investimento inicial também na casa de R$ 40 mil, o franqueado tem direito de uso de máquinas, treinamento, material de marketing, kit de ferramentas e higiene.

Sua tarefa será captar cafeterias e outros estabelecimentos que utilizarão as máquinas e a matéria-prima da Pilão, dando manutenção e suporte no fornecimento. E pagará mensalmente 2% das vendas em taxa de publicidade, 5% de royalties e 10% de aluguel dos equipamentos.

“O microfranqueado pode esperar um faturamento mensal de R$ 15 mil e um lucro de R$ 4.800 ao mês”, diz Rafael Ferrer, gerente de franquias da Pilão Professional.

Leia a matéria original em: Folha de S. Paulo