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Movimento inverso faz lojistas desistirem dos malls, que abrem temporada de liquidações

A fim de evitar a debandada de lojistas, os shoppings estão em promoção. Não de produtos, mas de aluguéis. Em alguns casos, o desconto chega a 25% durante pelo menos 90 dias. A ideia é dar fôlego aos empresários, ante o cenário de longa retração das vendas. Ainda assim, para alguns a solução têm sido abrir mão do espaço nobre e migrar para imóveis de rua, com custo menor.

Para manter um estabelecimento em shopping, o custo total da operação (CTO) deve ser de até 10% da receita no caso das lojas, e de 12% para serviços. Isso significa que o gasto com aluguel e condomínio, por exemplo, não pode representar mais de 10% ou 12% do faturamento, conforme explica o superintendente da Associação dos Lojistas de Shopping Center (Aloshop), Alexandre Dolabella França.

Com o desaquecimento econômico, no entanto, o CTO de alguns estabelecimentos chegou a 30%. “Não dá para manter um negócio com esse custo. É inviável. Os shoppings perceberam que iriam perder muitos lojistas e em alguns casos eles renegociaram o valor do aluguel”, diz o representante dos lojistas.

Ele comenta que além do valor fixo, os lojistas pagam um percentual sobre o faturamento sempre que um limite é atingido. “O gatilho do faturamento não tem sido atingido. Mesmo assim, alguns shoppings cobram apenas o percentual das lojas”, afirma França.

Vantagem
Mas nem todos conseguiram renegociar o pagamento mensal.A preferência foi dada às unidades que têm capacidade de atrair mais clientes aos centros comerciais. Entre eles, academias e restaurantes. Aqueles que levam a classe A aos malls também tiveram vantagem. “Esse tipo de estabelecimento está se instalando nos shoppings de BH com frequência. Em São Paulo, já existem até faculdades nos malls”, diz superintendente da Aloshop.

Vila da serra
Especializada em artigos masculinos de luxo, a Klus encerrou recentemente as operações em um shopping e inaugurou uma unidade de 400 metros quadrados em um complexo intimista e sofisticado no Vila da Serra, em Nova Lima. A empresa possui nove unidades na grande Belo Horizonte. Dessas, sete estão em

Malls 
De acordo com o proprietário da marca, Salvador Ohana, se ele encontrar outra oportunidade parecida, dará preferência às lojas de rua.
“Ficamos apenas nos shoppings que aceitaram negociar o valor do aluguel. E se encontrarmos outra oportunidade, como a do Vila da Serra, encerraremos as atividades em outros shoppings também”, avisa.

Com a mudança na estrutura da rede, a previsão é a de empatar o resultado com 2017, expectativa melhor do que antes. “Se fecharmos o ano um pouco melhor, vamos comemorar”, diz Ohana.

Sonho
O proprietário da Enxovais Sonho Perfeito, Marcio Pasch, também encerrou operação em um shopping de Belo Horizonte para abrir uma unidade bem maior em Venda Nova. “O custo de operação chegou a 22%. Tentei negociar e eles não quiseram. Fechei a loja. E talvez eu faça a mesma coisa em outros shoppings. As pessoas não têm mais dinheiro e ir a shoppings é caro. O estacionamento nem sempre compensa. Vejo muita gente dando preferência às lojas de rua”, pondera.

Mudança de hábito de consumo reflete nos malls

Os shoppings centers atravessam um momento de mudança no mix, conforme afirma o sócio-diretor da GS&Malls, consultoria especializada em shoppings, Luiz Alberto Marinho. “A diversificação é uma demanda dos malls. Hoje, apenas 37% das pessoas vão aos shoppings para fazer compras”, afirma.
O restante procura entretenimento e soluções em serviços, como alimentação, cinema, banco, entre outros.

O presidente da Associação dos Lojistas do Shopping Del Rey, Ewerton Starling, concorda. Conforme o representante da entidade, atualmente os malls têm como principal atrativo uma gama elevada de serviços. “As pessoas vão para as praças de alimentação e várias horas lá, fazendo reuniões e resolvendo problemas. Depois, vão aos bancos, fazem supermercado. É uma estrutura que facilita a vida de todos”, comenta.

Outro perfil
Com a mudança no perfil dos consumidores, Starling acredita que as vendas foram afetadas. Como reflexo, ele, que é proprietário das lojas Arquibancada, especializada em artigos esportivos, encerrou as operações em um centro de compras de Belo Horizonte e abriu uma unidade no shopping de Ipatinga, no Vale do Aço. O motivo é o menor custo do interior.

De acordo com ele, esse movimento de mudar de shopping ou até mesmo de ir para lojas de ruas tem sido frequente.

“Vários lojistas têm me procurado para dizer que não estão conseguindo honrar os compromissos com os shoppings”, diz o empresário.

Starling pondera, no entanto, que a crise chegou com força para os dois lados. “Sabemos que os shoppings também têm custos altos e precisa manter uma estrutura de qualidade e segurança para os clientes. Por isso, acredito que a solução é a negociação”, afirma Starling, que é presidente da Associação dos Lojistas do Shopping Del Rey.

Leia a matéria original em: Hoje em Dia