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Multimarcas e varejo on-line ajudam redes a crescer no País

O segmento de vestuário tem adotado medidas para se reinventar. Firmar parcerias com estilistas e marcas renomadas, utilizar o conceito de loja dentro de loja (store in store) e apostar com ênfase no varejo eletrônico são ações que poderão ajudará o setor a ultrapassar o crescimento nominal de 7,3% visto nos últimos anos e, assim, sair do cenário estagnado desde 2011.

A inserção no comércio eletrônico (e-commerce) já entrou no replanejamento da TNG. Segundo o CEO da marca, Tito Bessa Junior, deixar de ter sua loja virtual terceirizada – a Dafiti é quem opera – será implementado nos próximos 12 meses. “Como passamos por um momento complicado da economia foi necessário fazer mudanças na forma que pretendemos crescer”, disse.

Com mais de 170 lojas próprias em operação, o executivo afirmou também que o modelo multicanal também será uma das mudanças para que a marca, que está há 30 anos no mercado, não perca espaço nem rentabilidade. “Antes afirmava que o nosso maior sócio era o governo, hoje eles são os shopping centers”, argumentou o executivo para justificar essa mudança na estratégia de crescimento da rede.

O posicionamento sobre a mudança de estratégia foi ressaltado pelo diretor-geral da Gouvêa de Souza (GS&MD), Marcos Gouvêa de Souza. “Não podemos achar que o e-commerce vai ‘salvar’ o crescimento do setor. Hoje, a representatividade dele é muito pequena e ele é um canal que pode ser usado como complemento”, explicou.

Ideias inovadora como o do The Stylist – financiamento coletivo – ajuda a fomentar o setor. Criado pelo executivo Bruno Amaro e mais três sócios e investimento inicial de R$ 500 mil para a criação do ambiente on-line, o The Stylist tem como proposta a curadoria de moda, iniciativa  feita pelos profissionais do site e do estilista Reinaldo Lourenço, parceiro no projeto. “Os estilistas ou novas marcas enviam as peças-piloto de suas coleções exclusivas para nós. As peças que forem selecionadas por nosso time de curadoria irão ser fotografadas e colocadas no site em uma pré-venda.”

Com isso, o conceito de exclusividade prevalece na operação. “A ideia da pré-venda é o consumidor atuar como curador e investidor, escolhendo, através da própria compra, quais peças serão produzidas e compradas, em primeira mão e com preço reduzido, peças exclusivas de estilistas que poderão ser os próximos talentos a brilharem nas passarelas. Em outras palavras, somente as coleções que caírem no gosto do público serão produzidas”, explicou Amaro.

Hoje, o The Stylist tem suas vendas concentradas em São Paulo, local em que os sete estilistas parceiros atuam, mas por ser um portal isso pode ser ampliado ao longo do tempo e os empresários que investiram no e-commerce repassam aos estilistas uma taxa de royalty de 20% nos produtos vendidos. Desde abril desse ano no ar,  preço médio das peças na pré-venda é R$ 150 e depois de produzidos, quanto estarão em estoque e pronta entrega, o preço médio é R$ 250. “Esperamos ter o retorno do dinheiro investido em um ano”, concluiu Amaro ao DCI.

Para as empresas que já estão consolidadas no segmento, a medida atual é transformar a verticalização – empresas que atuam em diferentes ramos: produção, logística e venda – em integração. “Depois de todo o processo de verticalização dentro do Grupo Guararapes, percebemos que alguns ajustes eram necessários entre eles, a integração entre as empresas”, afirmou o Presidente da Riachuelo, Flávio Rocha.

Rocha explicou que, de nada adiantava, a empresa de logística operar 100%, de forma sustentável e rentável, a loja estar desabastecida. “A sinergia entre as empresas se faz necessária”, disse Rocha. Outro ponto ressaltado pelo executivo foi em relação a forma de distribuição dos produtos, uma vez que a empresa tem como missão “democratizar o acesso a moda”. Este ano, a Riachuelo investiu em um novo centro de distribuição em Guarulhos, na Grande São Paulo. Com isso vai eliminando aos poucos os gargalos da marca. “Estamos promovendo uma mudança cultural. Transformamos uma cadeia que antes era inimiga, que brigava entre si, em operações integradas”, disse ele.

Na Marisol, as transformações estão acontecendo de dois anos para cá. “Hoje, 70% dos negócios da marca estão concentrado no canal multimarca e no pequeno varejo independente”, disse o diretor-presidente da marca Giuliano Donini.

O e-commerce, que hoje representa “apenas 3% da receita”  da marca, também tem sido alvo da marca, assim como as franquias. “Temos quatro marcas no mercado, com foco maior no público infantil e no varejo, temos mais 186 lojas da Tigor T Tigre; 219 One Store Marisol. Para dar certo tivemos que mudar a nossa cadeia de valor. Chegamos a mudar uma fábrica de lugar”, concluiu.

Leia a matéria original em: DCI