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O que o Magazine Luiza ganha com a Netshoes. E o que pode perder

A disputa de gigantes do varejo pela compra da Netshoes finalmente teve seu vencedor anunciado na última segunda-feira (29)  O Magazine Luiza venceu a disputa, mas ainda tem um baita desafio pela frente antes de poder cantar vitória: mostrar que pode estancar a sangria da Netshoes, que nunca conseguiu ser rentável, e usar a empresa para ser relevante no mercado de varejo de moda.

A entrada do Magazine na venda de roupas e calçados era vista como um passo natural para a empresa. O segmento de moda é tido por especialistas como a arena da próxima grande batalha no e-commerce. O Magazine, que recentemente iniciou até a venda de livros, tem planos declarados de se tornar o maior comércio eletrônico do país.

Diferentemente de outros setores, em que fez parceria com a indústria para iniciar a venda de produtos, o Magazine pegou um atalho no caso do varejo de moda, a um custo de US$ 62 milhões, comprando a Netshoes. Além da marca de artigos esportivos, a Netshoes também detém a marca de moda Zattini e a de calçados femininos Shoestock.
Para analistas, investidores e consultores ouvidos pelo InfoMoney, o negócio não deve trazer uma grande revolução na sua estrutura, mas pode colocar a companhia na frente na disputa nesse mercado.

“O negócio da Netshoes plugado no Magazine Luiza faz todo o sentido. Toda a estrutura administrativa e física que a Netshoes tinha que carregar nas costas sozinha já está pronta no Magazine. Os custos serão diluídos”, afirma Henrique Bredda, sócio da gestora Alaska Asset e um dos principais acionistas do Magazine Luiza nos últimos anos.

Cabeças diferentes
A sinergia dos negócios de Magazine e Netshoes passa por alguns pontos comuns em fusões no varejo, como a integração de plataformas, infraestrutura e pessoas. De acordo com uma pessoa ligada ao Magazine Luiza, Marcio Kumruian, atual presidente e fundador da varejista esportiva, deve continuar na empresa.

Graziela Kumruain, diretora de operações da Netshoes e irmã de Marcio, também continuará na gestão da companhia, segundo essa fonte. Se, por um lado, a expertise de Marcio e Graziela em vestuário e varejo esportivo pode ser benéfica, por outro, pode atrapalhar uma grande mudança no rumo dos negócios.

“O problema é que a cabeça do Kumruian é de um empreendedor que quer fazer a empresa crescer a qualquer custo. Já o Magazine tem a cabeça de uma empresa de capital aberto, que precisa entregar resultados trimestre após trimestre”, avalia um executivo do setor.

Apesar das diferenças, consultores acreditam que o histórico de aquisições do Magazine pode ajudar a companhia no desa􀁸o que é integrar um negócio com “cabeça de startup” no mundo real do varejo. “O Magazine tem experiência em aquisição tanto no varejo físico quanto na parte digital. As integrações sempre foram focadas em pessoas e foram muito bem feitas”, afirma Marcos Gouvêa, diretor da consultoria GS&MD Gouvêa de Souza.

Leia a matéria na íntegra em: InfoMoney