Facebook Twitter Youtube Linkedin |

O varejo no divã

Em 1925, a loja de departamentos Sears abria a sua primeira unidade, na cidade americana de Chicago. Quase cem anos depois, em abril deste ano, a lendária varejista – que no auge chegou ao posto de maior dos Estados Unidos – anunciou que fechará as portas da operação, a última da rede em sua cidade de origem. Simbólico para a história da empresa, o movimento vem na esteira de uma série de fechamentos que reduziram em mais de 60% o tamanho da Sears. Em 2013, eram 2,5 mil pontos de venda, número que caiu para mil e que deve chegar, ao final deste ano, a 900.

A situação grave da companhia não é exceção no setor e, nem de longe, a mais dramática. No ano passado, redes tradicionais do comércio americano tiveram a falência decretada, fecharam números recordes de lojas e se desdobraram para entender e se adaptar à nova realidade. É o efeito Amazon, como está sendo chamado o crescimento das vendas virtuais. “Há um processo global de encolhimento do varejo físico, impulsionado pela expansão do e-commerce”, afirma Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral da GS& Gouvêa de Souza, consultoria especializada no setor.

A rede de eletrônicos RadioShack, por exemplo, fechou mais de mil lojas no ano passado, ficando com apenas 70. A Payless, 700 e a JCPenney, outras 138. Mais recentemente, a varejista de brinquedos Toys ‘R’ Us se somou ao grupo, ao divulgar, em 15 de março, o encerramento de todas as suas 735 lojas nos Estados Unidos e na Europa, junto com o pedido de falência. Na ocasião, Dave Brandon, CEO da empresa, lamentou a situação. “Estou muito desapontado com o resultado, mas não temos condições financeiras para continuar operando”, disse ele. Os exemplos são recortes de um cenário sem precedentes no varejo americano e evidenciam mudanças estruturais no setor, desencadeadas pelo crescimento do e-commerce e pelo novo comportamento do cliente.

A Amazon, por exemplo, ganha cada vez mais capilaridade entre os consumidores. Pesquisa da consultoria PwC, com 22 mil pessoas em 27 países, mostra que 59% dos entrevistados já compram na Amazon, dos quais 27% consomem menos nas lojas em decorrência disso. “Observamos uma tendência clara de queda das compras no varejo físico e aumento do consumo via smartphones”, afirma Ricardo Neves, sócio da PwC. Levantamento da consultoria americana Coresight Research mostra que as grandes cadeias de varejo do país fecharam quase 7 mil pontos de venda em 2017, número que superou o montante registrado na crise financeira de 2008. Para este ano, pelo menos outras 1,4 mil lojas devem encerrar as atividades na região.

Leia a reportagem na íntegra em: IstoÉ Dinheiro