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Repensar o modelo de negócio deve marcar o ano das redes de estética

Apesar da resiliência durante a crise, as franquias de estética não deverão ficar de fora do movimento de reestruturação que persiste no varejo. Para conseguir driblar o aumento da concorrência e expandir, será necessário repensar o modelo de negócio e seus processos. Enquanto isso, lidar com a valorização do dólar também deve ser prioridade.

De acordo com a diretora geral e sócia fundadora do Grupo Bittencourt, Claudia Bittencourt, o mercado foi atingido pela crise, mas diferente de outros segmentos do varejo o desempenho não caiu, apenas desacelerou.

Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o segmento de saúde, beleza e bem-estar foi o que atingiu maior variação no período entre 2016 e 2017, chegando a aumento de 12,1% do faturamento, com R$ 30,02 bilhões.

Isso, contudo, não será motivo para relaxar. “Não podemos esquecer que estamos vivendo um momento de incerteza. A economia entrou em colapso e atingiu a todos. O setor tem que buscar alternativas para barrar os efeitos disso”, comenta.

Além disso, ela ressalta que outros fatores também devem ser levados em consideração, como o aumento da concorrência, o aparecimentos de novos perfis de empreendedores e a mudança de hábito do consumidor. “Em alguns segmentos, como o de depilação e de esmalterias, novas redes têm surgido, e a tendência é de consolidação nesses mercados. Quem entrou melhor estruturado vai continuar”, antecipa.

Parte desse investimento em reestruturação deverá focar na comunicação com o cliente, mais especificamente na presença online. “Ou ampliam os canais ou terão dificuldade de concorrer. O e-commerce teve um impacto forte no ponto físico, junto com as novas marcas de venda direta. Não só para quem vende produtos, mas serviços também”, comenta.

Não à toa as redes Onodera Estética, Não+Pelo e EmagreSee afirmaram ao DCI que um dos focos para este ano é aumentar a presença online.

“Na comunicação migramos um pouco o foco para mídias com mais contato com nosso público e no final do ano passado lançamos o e-commerce. Em junho ou julho além de comprar, será possível agendar”, detalhou a sócia-diretora da Onodera Estética, Lucy Onodera.

A franqueadora máster da Não+Pelo Regional São Paulo, Thais Ramos, disse que o projeto online da rede está sendo desenvolvido. A ideia é que também tenha as funções de compra e agendamento.

De acordo com Thais, a meta de crescimento do faturamento da regional neste ano é 20%. “Na rede nacional atingimos R$ 90 milhões em 2017 e queremos chegar a R$ 100 milhões neste ano”, comenta. De janeiro até agora, o faturamento da regional teve alta de 23%.

A rede especializada em fotodepilação tem 70 unidades na região de São Paulo e até o final do ano querem 10 novas lojas. “Estamos com um número agressivo de crescimento por conta do volume de interessados em abrir uma franquia da rede”, aponta Tais.

Segundo a executiva, nem a incerteza política, provocada pelas eleições, tem esfriado o interesse dos investidores. “Comparado com os últimos anos”, complementa.

Outra rede com planos agressivos é a EmagreSee. “Hoje temos 160 vendidas e 60 inauguradas. Em 2018 inauguraremos essas vendidas”, afirmou o sócio-fundador da EmagreSee, Atylah Marçal.

Na Onodera Estética, Lucy comenta que tem sentido uma grande procura também, mas não no perfil de candidatos que busca. Mesmo assim, até o final do ano serão 10 novas lojas da marca. Em faturamento a meta é 14%. “Mas fico feliz se for dois dígitos”, diz.

Entre as estratégias que a empresa tem para aumentar suas fontes de receita está a venda dos nutracêuticos da marca Onvittá. “Ainda não tem uma participação grande no faturamento, mas terá.”

Segundo Lucy, atualmente a rede passa por um processo de consultoria e sinalizou que novas estratégias estão por vir. “Queremos uma expansão mais agressiva e vamos ver formas de atingir perfis de investidores diferentes”, disse.

DesafiosNa opinião de Claudia, da consultoria Bittencourt, um dos principais pontos de atenção neste ano é a valorização do dólar ante o real, que tem pressionado o custo de insumos e equipamentos importados. “Pressiona o reajuste de preço ou acaba sacrificando as margens”, diz a especialista.

Uma reação que tem sido observada é o de empresas em busca de outros fornecedores. O desafio é conseguir manter a mesma qualidade dos serviços e produtos com preços de insumos e equipamentos mais baixos. “Muitos atendem a classe A e devem tomar cuidado para não descaracterizar o produto ou serviço”, comenta.

Na Não+Pelo, Thais comenta que tem conseguido manter o preço dos equipamentos para os franqueados. “Temos máquinas taxadas pelo euro. Por enquanto estamos mantendo os preços. A preocupação é que não sabemos até quando. Se houver uma variação muito agressiva é preocupante.”